Tudo começou…

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Quando saí da casa dos meus pais, descobri que eu precisava preparar minha própria comida na primeira vez que a fome bateu à porta. Foi aí que notei como era prático e gostoso apenas sentar à mesa e me servir. E que na verdade nunca dei valor à “comidinha da mamãe”, quando aquilo era cotidiano. Às vezes até reclamava: “mãe faltou sal” ou “eu gosto de cenoura fatiada, não ralada” (sem noção, vai lá e fatia).

Naquele momento achei que havia compreendido quando ela se perguntava “o que vou fazer de almoço amanhã?”

Depois notei que eu ainda não tinha chegado nesta fase: como eu ia ficar em dúvida do que fazer, se eu ainda não sabia fazer nada?

A única decisão que eu poderia tomar naquela altura do campeonato era se ia misturar sardinha ou atum enlatado no miojo (parece nojento, mas eu adorava e quebrava um galho).

Com base nesta experiência culinária, percebi que não ia conseguir sobreviver preparando o mesmo cardápio todos os dias, então passei a comprar comida congelada e preparar no microondas ou arremessar, literalmente, na frigideira. Eu não sabia como agir com o óleo quente queimando, então tomava uma distância e jogava hambúrgueres, bolinhas de queijo, quibes e o que mais fosse de fritar.

Até que um dia, enjoei dos congelados e resolvi ligar pra minha mãe: “mãe, como é que faz arroz?” Do outro lado da linha ouvi uma risada e um “é muito simples: pra cada xícara de arroz, coloca duas de água e pronto.” E pronto? Aquilo não fazia o menor sentido, estava faltando o início e o final da receita.

Minha mãe arrebenta na cozinha e deve ter ficado decepcionada com a filha caçula que não aprendeu nada em anos de convivência e conversas jogadas fora à beira do fogão. Eu realmente só prestava a atenção no assunto, nem notava o que ela tava fazendo com as panelas e os temperos.

Por isso, anotei tudo: desde fritar o alho até os cinco minutos com a panela tampada em fogo baixo. Seguia à risca a tal “receita de arroz”, todos os dias. O papel com as anotações dos ingredientes e explicações estava sempre à mão e fazia parceria com o cronometro do meu celular que avisava o tempo de preparo.

E foi por essas e outras que resolvi fazer este blog aos Cozinheiros de Primeira Viagem. Sejam bem-vindos!